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Vitalino Paulo Sousinha 18 de Fevereiro às 11:40 · Olh’ó balão Gustavo Carneiro

 

Olh’ó balão
Gustavo Carneiro
Deu que falar o abate de um balão chinês por um avião mi­litar norte-ame­ri­cano. As au­to­ri­dades chi­nesas ga­rantem que se tra­tava de um apa­relho me­te­o­ro­ló­gico; os EUA falam em es­pi­o­nagem, ele­vando a tensão…
Se­gundo David Vine, pro­fessor na Uni­ver­si­dade Ame­ri­cana de Washington, em Julho de 2021 os EUA ti­nham cerca de 750 bases e ins­ta­la­ções mi­li­tares em mais de 80 países de todos os con­ti­nentes e re­giões (o nú­mero real será su­pe­rior, dado o ca­rácter se­creto de al­gumas delas). Há dias, foi anun­ciado que os EUA terão acesso a três novas bases nas Fi­li­pinas, ga­ran­tindo-lhes assim, e se­gundo o Pú­blico (3.2.23), a pos­si­bi­li­dade de «vi­giar as ac­ti­vi­dades mi­li­tares chi­nesas num arco que se es­tende do Japão à Aus­trália, sem grandes in­ter­rup­ções ge­o­grá­ficas».
O Japão é o país com mais bases norte-ame­ri­canas, se­guido da Ale­manha e da Co­reia do Sul: juntos, somam mais de 300. São também estes três países a aco­lher no seu ter­ri­tório o maior nú­mero de mi­li­tares dos EUA. Em 2020, es­tavam 53 mil no Japão, 34 mil na Ale­manha e 26 mil na Co­reia do Sul. Neste úl­timo país, aliás, está ins­ta­lado desde há anos o sis­tema de mís­seis THAAD e em 2021 foi anun­ciada a cri­ação do AUKUS, ali­ança mi­litar en­vol­vendo os EUA, o Reino Unido e a Aus­trália, cen­trada na re­gião do Pa­cí­fico.
Com des­pesas su­pe­ri­ores a 800 mil mi­lhões de dó­lares em 2022 (www.sipri.org), os EUA as­sumem mais de um terço dos gastos mi­li­tares mundiais, sendo pre­ciso somar os dos 10 países se­guintes para as equi­valer: acres­cen­tando-lhes os as­sumidos pelos res­tantes mem­bros da NATO ul­tra­passa-se a me­tade eesta pro­porção au­menta ainda mais com «ali­ados» como o Japão, a Co­reia do Sul, a Arábia Sau­dita, Is­rael ou a Aus­trália.
Os EUA, que em Agosto de 1945 ar­ra­saram as ci­dades ja­po­nesas de Hi­ro­xima e Na­ga­sáqui, gas­taram em 2021 mais de 44 mil mi­lhões de dó­lares no fa­brico e de­sen­vol­vi­mento de armas nu­cle­ares (www.ican.org): pos­suem perto de 5500 ogivas, al­gumas delas ins­ta­ladas em países eu­ro­peus – Ale­manha, Bél­gica, Itália, Países Baixos e Tur­quia. Entre 1950 e 1953, des­pe­jaram mais bombas sobre o Norte da Co­reia do que ti­nham feito em toda a guerra no Pa­cí­fico, contra o Japão: em Pyongyang só um edi­fício ficou de pé. Usaram e abu­saram de todo o tipo de ar­ma­mento proi­bido, quí­mico ou bi­o­ló­gico, res­pon­sável ainda hoje por mortes, do­enças on­co­ló­gicas e mal­for­ma­ções – Agente La­ranja no Vi­et­name, urânio em­po­bre­cido na Ju­gos­lávia, fós­foro branco no Iraque –, or­ga­ni­zaram a ma­tança de meio mi­lhão de co­mu­nistas na In­do­nésia (re­pli­cada de­pois na Amé­rica La­tina da Ope­ração Condor),mon­taram um «sis­tema global de vi­gi­lância em massa», nas pa­la­vras de Edward Snowden.
E com tudo isto, acabou-se o es­paço e ainda nem es­crevi sobre o balão chinês...
(no Avante)
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