Por onde andam protagonistas desta história
Os vencedores
Ramalho Eanes
É hoje visto como o vencedor do dia. Há quem conteste: Pires Veloso, ex-chefe da Região Militar do Norte, diz que "é totalmente falsa" a ideia de que foi ele o "comandante do 25 de Novembro". A história trucida-o: é Eanes que avança em 76 para Belém e ganha. Hoje, aos 75 anos, preside à Comissão de Honra da recandidatura de Cavaco Silva.
Mário Soares
Álvaro Cunhal dedica-lhe atenção no livro em que pretende desmontar o papel do PCP no "golpe". Afinal, o líder do PS protagoniza - com o PSD, de Sá Carneiro - a defesa do VI Governo e defende uma saída dos deputados para o norte. Foi primeiro-ministro e presidente, mas aos 85 anos não deixa o palco da política como observador.
Vasco Lourenço
Nomeado dias antes para o lugar de Otelo, era o "manobrador", na classificação de Manuela Cruzeiro. Percorreu o País a refazer pontes entre Costa Gomes e Pinheiro de Azevedo, e defendia a legalidade institucional. Aos 68 anos, na reserva como tenente-coronel, a sua defesa é a da Revolução dos Cravos - preside à Associação 25 de Abril.
Os vencidos
Otelo Saraiva de Carvalho
Destituído do comando militar de Lisboa, Otelo fica em casa nesse dia. Negou ao DN saber do movimento e de que Portugal estivesse à beira da guerra. O capitão de Abril preferia a "democracia directa". Caminhou para o terrorismo, com as FP-25 de Abril, e é condenado pela justiça a cinco anos. Ainda hoje recusa ser o seu líder.
Mário Tomé
Aos 70 anos, o "major Tomé" é militante do Bloco de Esquerda. Em 1975, acabou preso depois do 25 de Novembro, com outros militares do Comando Operacional do Continente (Copcon). Vingou-se nas urnas, em 1979 e 1980, sendo o único deputado eleito pela UDP. Passou compulsivamente à reserva em 1984.
Manuel Duran Clemente
Irrompeu na noite desse dia pelos estúdios da RTP com ameaças: "Isto é tudo muito desagradável, mas, se for necessário matar, eu tenho de matar." O barbudo Duran Clemente, hoje com 61 anos, casado, pai de 3 filhos, tentou explicar o "poder popular". Foi interrompido por um filme de comédia. Diz-se da "esquerda consequente".
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