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POEMAS QUE ANDARAM PERDIDOS



MAIS ALGUNS POEMAS QUE TÊM CONSEGUIDO FICAR LONGE DOS OLHARES QUE A MEMÓRIA NÃO VIU:

1 - SEM TÍTULO

            Foi a vida
            nem sempre de pétalas suaves
            espreitando meu rosto de assombro
            e tristeza!

            Hoje
            perdida a esperança de ser flor
            tento com alguma frustração
            que ela floresça noutro campo

            Duma Primavera mais próxima!

Reis Caçote
1968/018


DE UMA PRIMAVERA MAIS PRÓXIMA



2 - PROMESSA

            Dez horas
                                   e nada se passa
            Onze horas
                                   e o peso do mundo continua
            Meio dia
                                   e a cambalear me levanto
            Da  rua     alagada de Sol
            Uma gargalhada fresca fez
                                   estilhaçar de vez
            meu sono cristalizado:
                                   Não volto aa tomar comprimidos
             para dormir...!

Reis Caçote
1969/018


ACORDAR, É PRECISO




            




















3 - TENTAÇÃO

Tento em vão fingir

 Que não tenho vontade de chorar

            - com os olhos em lágrimas afogados!
            Que me não preocupa o Inverno
                        - mas continuo a tremer de frio!
            Que nada sinto perante o que vejo
                        - mas tenho a sensação de estar na lama!
            Que não me choca o que oiço
                        - mas cerro os dentes de fúria!
           
            Mesmo de olhos embaciados hei-de ver
            a parte de trás do espelho!

Reis Caçote
1969/018



4 - NÃO SEI SE EM VÃO

            Em busca do céu passou pela terra!

            Com ele cruzei vezes sem conta:
                        vestido sempre de cinzenta escuro para a deus não ofender
                        abraçando junto ao peito o denso livro de capa preta
                        para a deus glorificar
                        respondendo às minhas e outras saudações com a mudez
                        do seu gesto lento de lábios e cabeça
                        gesto-oração para não ofender a deus com sua voz
                        olhando nunca de frente seu semelhante
                        para a deus não ofender com seu olhar
                        sempre desgrenhada sua rala cercadura de cabelos
                        para não ofender a deus com sua vaidade
                        arrastando-se pela vida pesadamente para a deus                                               omnipresente não ofender com seus grossos sapatos.

            Morreu há dias ! Silenciosamente ! Lentamente!

            Comprei todos os jornais no dia seguinte
            na esperança de ler...
            Todos relatavam o regresso à terra do vai-vem americano!

Reis Caçote
sem data/018




















DEUS SEMPRE PRESENTE...






5 OUTRO RIO

            Suporto menos em cada dia que passa
            essa tua indolência de boi castrado
            a roçares-te, impotente
            pelas ervas e areias do teu leito!

            Com teu ventre pútrido
            de escamas quase ausentes
            e olhos baços
            Abandonas-te para o encontro
            sempre marcado
            com a quase moribunda outra
            parte da lenda.

            Não tens o direito
            só por que os poetas te enlearam
            nas suas odes-feitiço
            de quase deixares morrer
            insensivelmente
            sem um mínimo gesto
                        a tua dedicada amante !

Reis Caçote
sem data/018


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