Crónica de um pastor sem máscara 24 Novembro, 2020 Alfredo Mendes 5 min read Fala do apego à terra, de enxadeiros com camisa abotoada nos colarinhos agarrados ao arado, de mãos encodeadas pelo trato de cabos de madeira e de ferro. Sob a vigilância de quem já nasceu e cresceu homem, as ovelhas vão pastando na solidão dos montes até a hora do mungir, lá na penumbra do palheiro. Enquanto caminhamos lado a lado recorda o tempo em que tinha de faltar à escola primária para ajudar o pai com os rebanhos catando a folhagem, pelo que se empinavam nas árvores seculares com tronco retorcido, esburacado, escultural. – Sabes por que as oliveiras têm buracos no tronco? – Não, Zé. – Para guardarem a água da chuva do Inverno e poderem aguentar o Verão. Faz de conta que são bocas cheias de sede. Entrementes, os cordeiros famintos, impacientes, arremessam para as tetas maternas. Quantas e quantas vezes o meu amigo ajudou as ovelhas a parir e tornou à aldeia com os recém-nascidos ...
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