A ausência, o apagamento de Manuela Cruzeiro das comemorações oficiais, representa o lugar em branco, ou em negro, de Trotsky na fotografia em que, na realidade surgia ao lado de Estaline.
Há outros fantasmas, outras almas penadas, com certeza que sim. Mas a de Manuela Cruzeiro é a que mais me choca. Aqui fica a minha modesta homenagem a Manuela Cruzeiro.
Mestre em Filosofia Social e Política. Investigadora do Centro de Estudos Sociais, onde integrou o Núcleo de Estudos Culturais Comparados. Foi investigadora do Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra de 1987 a 2009, onde se destacou o seu trabalho de investigação na área da História Oral, através da recolha, tratamento e publicação de testemunhos diretos dos protagonistas da Revolução de Abril. Coordenou a produção de materiais didáticos sobre o 25 de Abril e participou em debates, colóquios, encontros e ações de formação.
É uma das mais importantes investigadoras sobre o estudo da Revolução de 1974, nas suas dimensões histórica, imaginária e simbólica; os movimentos de resistência à ditadura, especialmente entre as mulheres e a juventude académica; cultura e identidade portuguesas. Publicou, entre outros, os livros Vasco Lourenço - Do Interior da Revolução (2009); Anos Inquietos - Vozes do Movimento Estudantil em Coimbra, em co-autoria com Rui Bebiano (2006); Melo Antunes: O sonhador pragmático (2004); Maria Eugénia Varela Gomes - Contra Ventos e Marés (2003); Tempos de Eduardo Lourenço, que constituem elementos essenciais para a compreensão do processo político português que conduziu ao 25 de Abril e do seu desenvolvimento.
É possível compreender o 25 de Abril sem os trabalhos de Manuela Cruzeira sobre Costa Gomes,, Melo Antunes, Vasco Lourenço, Vasco Gonçalves, Pezarat Correia, Eduardo Lourenço, sem ler a importantíssima carta aberta que Manuela Cruzeiro escreveu a Otelo Saraiva de Carvalho?
Parece que sim. Sobre ela caiu uma pedra tumular. Sobre os atores políticos e principalmente os militares também.
Manuela Cruzeiro não obedeceu ao cânone que os políticos do regime impuseram como verdade e que a Comissão Oficial, por razões óbvias não podia afrontar. Quem dá o pão dá a razão. Fica a obra de Manuela Cruzeiro, enquanto não chegar o tempo das fogueiras históricas. que Venturas e os seus moços rabejadores já prenunciam
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