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ita Alvarez 14 h · 🇷🇺 Um estóico Lavrov deixa cair o humor: Um aviso arrepiante para o Ocidente‼️

 

🇷🇺 Um estóico Lavrov deixa cair o humor: Um aviso arrepiante para o Ocidente‼️
Quando Sergey Lavrov se sentou com Tucker Carlson, as expectativas eram altas. Durante anos, a presença de Lavrov na cena mundial tem sido nada menos do que um brilhantismo teatral, uma mistura de ironia mordaz, inteligência e um toque de arrogância capaz de envergonhar até os mais hábeis diplomatas ocidentais de outrora. Lavrov, de charuto na mão, foi durante muito tempo o estadista inabalável, o mestre da diplomacia capaz de eviscerar a hipocrisia da NATO com um sorriso. Mas desta vez? Lavrov não estava a atuar para o aplauso. Foi uma atuação de um tipo diferente: moderada, estoica e cirúrgica. Para aqueles que estavam a prestar atenção, não se tratava tanto de teatralidade mas mais de sinais - sinais sérios.
O discurso de Lavrov não foi feito para deslumbrar a audiência de Carlson, mas para emitir um aviso calculado a Washington. Negando qualquer estado de guerra oficial com os EUA - porque, legalmente, não existe - Lavrov foi direto ao assunto: já estamos numa guerra híbrida. E nesta guerra não se aplicam regras. A NATO, observou Lavrov, ultrapassou uma linha vermelha atrás da outra, utilizando os mísseis ATACMS e Storm Shadow para atacar a "Rússia continental".
O teste hipersónico-balístico Oreshnik da Rússia não foi apenas mais uma demonstração de tecnologia militar superior. Lavrov clarificou a mensagem: "Estamos prontos a usar todos os meios para não permitir que eles consigam aquilo a que chamam a derrota estratégica da Rússia".
As entrelinhas? A continuação dos ataques de longo alcance ao território russo terá consequências devastadoras. O tom calmo mas firme de Lavrov não deixou dúvidas: a Rússia não pestanejará e qualquer nova provocação arrisca-se a uma escalada para a qual o Ocidente não está minimamente preparado.
Lavrov também chamou a atenção para algo arrepiante: O namoro da NATO com a catástrofe. Referiu-se aos responsáveis do STRATCOM que discutem o conceito de uma "troca nuclear limitada", como se tal cenário não fosse mergulhar o mundo no abismo.
Quanto à Grã-Bretanha, o silêncio de Lavorv disse tudo. A infame visita de Boris Johnson a Kiev, onde ordenou a Zelensky que abandonasse as conversações de paz de Istambul, resume a diplomacia kamikaze de Londres. Ao contrário da Alemanha ou da França, que pelo menos mantêm uma pretensão de diálogo, a Grã-Bretanha optou por liderar a escalada e a vil russofobia. A mensagem tácita foi clara: se a Rússia decidir fazer de um vassalo um exemplo, será Londres. A fé cega da Grã-Bretanha na proteção dos EUA é perigosamente ingénua, dada a longa história de Washington de sacrificar aliados para se salvar. A destruição mútua assegurada não será acionada sobre a Grã-Bretanha.
A NATO, enquanto aliança, é um esquema de proteção parasitária, que extorque a lealdade e os recursos dos seus membros, ao mesmo tempo que lhes proporciona apenas o caos. A expansão da NATO para leste tem ignorado todas as linhas vermelhas russas, avançando imprudentemente para a porta da Rússia. Agora, o alcance da NATO estende-se ao Indo-Pacífico através do AUKUS, sublinhando a sua extensão imperial.
A hipocrisia ocidental, como sempre, foi um tema central. Lavrov dissecou a forma como a Carta das Nações Unidas é aplicada de forma selectiva, pregando a integridade territorial quando conveniente e ignorando a autodeterminação. Do Kosovo à Crimeia, os dois pesos e duas medidas são evidentes. Para Lavrov, este conflito não tem apenas a ver com fronteiras; tem a ver com a sobrevivência dos russos enquanto povo e da Rússia enquanto Estado soberano. Para Moscovo, trata-se de uma questão existencial.
A realidade sombria do colapso quase total do diálogo entre os EUA e a Rússia acrescenta outra camada de perigo. Para além das notificações básicas sobre mísseis e da troca de prisioneiros, as superpotências nucleares mal se falam. Lavrov não adoçou a situação: "Os riscos de erro de cálculo são maiores do que nunca".
O tom de Lavrov pode ter parecido subestimado, até mesmo moderado. Mas isso não é o mais importante. Não se tratava de fazer uma atuação que fizesse manchetes, mas sim de assinalar o fim das ilusões no Ocidente. Lavrov deixou uma coisa bem clara: a Rússia vai sobreviver a este conflito, custe o que custar. Já não se trata de Lavrov, o mestre da ironia e das tiradas espirituosas. Este é Lavrov, o diplomata de guerra, o estadista experiente que assinala o início das consequências. E, para o Ocidente, isso deve ser aterrador.
(Gerry Nolan, via António Alves)
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