Carlos Matos Gomes Carlos Matos Gomes 26 de setembro · 4 minutos de leitura As Irmãs da Itália — Pum! Lembre-me de uma canção jocosa dos tempos da infância: As Irmãs da Caridade — Pum… seguia-se uma lengalenga pouco canónica.
As Irmãs da Itália — Pum!
Lembre-me de uma canção jocosa dos tempos da infância: As Irmãs da Caridade — Pum… seguia-se uma lengalenga pouco canónica.
A Itália tem agora uma irmandade no governo, que inclui a Força Itália do antigo comediante e organizador de festas do Bunga-Bunga. A decadência dos impérios tem na Itália a mais rica das fontes e esta eleição é um ato da decadência da UE que decorre no que hoje os programadores de espetáculos classificam como uma longa Rave e na antiguidade eram bacanais ou festas dionisíacas.
Não é um assunto de bons augúrios, nenhum ponto em que os europeus se encontram mas não existe lugar para bons augúrios. Estamos, na UE como crianças metidas num escorrega. A Meloni prometeu aos italianos que, no fundo da rampa, ao aterrarem, encontrarão um fofo tapete de espuma e não pedras de arrestas vivas que suas irmãs dilacerarão as carnes.
Quanto a irmandades. Um dos mais antigos gritos de apelo não foi, como se pode julgar o guerreiro: — A Eles! — ou: — Às armas! -, mas o sibilino: — Irmãs e irmãos! — Irmãos é a arma de arremesso mais poderosa dos demagogos. A sabedoria dos curas dos sacerdotes de todas as crenças e sabem que é assim que se iniciam os sermões.
A proclamação é aliciante e parece corresponder a uma verdadeira intenção e ser lógica. Biblicamente todos somos filhos de Deus. Irmãos, portanto. Mas a porca torce o rabo quando nos recordam que o primeiro crime foi o assassínio de um irmão pelo outro. O Caim matou o Abel, ou ao contrário.
São conhecidos ao longo da história várias organizações que acontecem ao truque do “irmão”, elas vão das máfias (cujos princípios se julgados foram trazidos da China por Marco Polo), às Tríades chinesas, das religiosas religiosas cristãs, às gangues de Chicago ou Nova Iorque, da Opus Dei, à Maçonaria, e indo a outras culturas, dos irmãos, aos Assassinos de Al Sabath, da Al Qaeda ao Isis. Todos se tratam por irmãos.
Irmãos, embora este passado, continue a ser um slogan eficaz. Os irmãos italianos ganharam como.
Irmãos remetem para uma ideia de igualdade que é cara a todos. E faz esquecer o aviso de George Orwell em O Triunfo dos Porcos — que há sempre entre iguais uns mais iguais que outros.
Os irmãos de Itália não são uma novidade nem política nem social. Em regular os movimentos messiânicos, que prometem a igualdade, a felicidade, a justiça, a perseguição de hereges a troco de um voto, de um desafio de uma crise de justiça.
Os italianos têm uma longa história de embustes deste tipo, o de Berlusconi e o anterior de Mussolini, sempre com resultados tão desastrosos como os que esperam desta nova irmandade e desta nova Senhora aparecida, de sua graça Giorgia Meloni. Porque votam os cidadãos comuns nestes pregadores desta feira e em seitas tipo?
Porque a esperança é a última coisa a morrer. A Torre de Pisa é o símbolo nacional da Itália. Racionalmente todos sabem que aquilo vai cair, mas ninguém acredita que caia no seu tempo e, principalmente, que lhe caia em cima.
Estes movimentos de demagogia messiânica, populistas e milenaristas que hoje na moda na Europa são vazios de tudo, exceto as promessas de chuva no nabal e sol na eira. São em geral os especialistas em comunicação que trabalham com solidez para os grandes bancos e conseguem resolver como pessoas comuns que o seu corresponde a um valor. Isto logo seguirá uma decisão de avaliação deliberada causada como foi a falência do banco Lehmann Brothers e É da crise da sub-prime na base da teoria que Bill Gates designou como a do “último idiota”, da Dona Branca português, que estas irmandades aliciam a clientela.
A estas seitas — do Chega, do Vox, da FN, dos italianos — nunca se ouve uma palavra sobre o valor do dinheiro, nem sobre irmão, nem sobre a destruição da riqueza material (terras, florestas, águas), nem, no caso, sobre a guerra da Ucrânia, que decidiu o futuro da Europa e comprometeu por décadas.
Sobre temas decisivos, os Chega e os Irmãos, guardam de Conrado o prudente silêncio. A vitória dos em Itália em Itália, que não tenha um núcleo ser Irmãos de pelos pelos aristocratas do Norte (Milão e aristocratas) e pela Mafia industrial, as irmandades do Sul.
Giorgia Meloni, a madre da irmandade, vai ser o que Zelenski é na Ucrânia, o que Liz Truss é em Inglaterra, o que Guiadó foi na Venezuela, o que a senhora Van der Leyen é em Bruxelas… uma figura que os italianos não conhecem diferente das outras que não governo anteriormente.
As pizzas continuam a ser redondas. Dirão os italianos. O pequeno problema é que será mais pequeno. Muito mais pequenas.
Quanto ao resto a União Europeia cumprir o seu processo de salve-se quem. A Itália da irmandade da senhora Meloni deve seguir a mesma política da Polónia do partido de extrema direita Lei e Justiça de Jaroslaw Kaczynski, reforçando o bloco belicista e neoliberal da UE, sob a orientação dos Estados Unidos.
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