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Memória de há 5 anos de Carmo Vicente e comentário meu...

 

Carmo Vicente partilhou uma memória.

1 h 
Hoje faz 61. Uma grande parte dos ex-combatentes já desapareceram.
Aos que ainda resistem, o Estado a que isto chegou oferece-lhes um emblema e um cartão que não servem para nada, nem significam nada...
Ah, paga-lhes todos os anos, em Outubro, entre 50 e 120 €. Por enquanto ainda dá para ir jantar fora... sozinho. Já não chega para levar a família.

Carmo Vicente atualizou o seu estado.

Hoje, 4 de Fevereiro, faz 56 anos (1961) que começou (oficialmente) a Guerra Colonial que terminou 14 anos depois e nos custou cerca de 10.000 (jovens) mortos e muitos milhares de estropiados de corpo e "alma", para além do sofrimento infligido aos povos colonizados em que os mortos nem sequer foram contabilizados, mas se contam por muitos milhares de homens, mulheres e crianças inocentes.
Ao contrário do que muitos afirmam aqui pelo Fac. que dizem sentir saudades desses tempos... eu não sinto saudades nem nostalgia... considero que foi um tempo ruim para os Africanos e para os Portugueses, principalmente para aqueles que deram o corpo ao manifesto.
Da guerra não lembro nada de bom, nem de positivo. Recordo os camaradas caídos e aqueles que perderam pedaços do seus corpos: olhos, pernas, braços e dos muitos que ainda hoje não conseguem viver em paz...
Saudades mesmo... só tenho da camaradagem e de alguns velhos amigos.
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3 comentários
Coragem
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3 comentários

  • Nuno Mendes
    Concordo mas compreendo que as saudades são sentidas entre nós todos,pela amizade pelos convívio,de todo resto NÃO
    Um abraço
     meu Sargento no BCP32
  • Inaciofrancisco Branco
    Vicente ainda não vi ninguém conquistar nada só com críticas. Enquanto foram novos nada fizeram fizeram agora com o cu no sofá pior. Os portugueses são muito passivos!!!
  • Jose Monteiro
    Depois de 15 meses de incorporação, passando pelo RAL 1, Lisboa, de seguida Vendas Novas, depois Sacavém, onde fiz a especialização em munições, voltei a Vendas Novas para receber, com mais cerca de 60 cabos milicianos, a guia de Marcha para Leiria, RAL 4, onde permaneci desde Fevereiro até 28 de Junho de 1961, desembarcando do Vera Cruz, em Luanda, no dia 6 de Julho, integrado num Pelotão de Comando e Serviços que após uma semana aquartelado num inacabado edifício, só paredes e telhado, que, diziam, viria a ser o Laboratório da Petrangol, na Estrada de Catete, mesmo em frente ao novo cemitério, onde quase todos os dias foram sendo sepultados militares que teriam morrido em combate ou acidente! Foi nesse mesmo cemitério que se deu uma sublevação onde terão sido feridos vários policias!
    Nessa semana, os militares do pelotão e de uma das 3 baterias de artilharia, fizemos a descapinagem do terreno do que viria a ser, pouco depois, o grande espaço de aquartelamento antes da preparação e ordem de avançar para as zonas de guerra!
    Uma semana passada o Pelotão foi aquartelado no GACL-Grupo de Artilharia de Campanha de Luanda, onde permaneceu até parte do Pelotão ter regressado, em 2 de Outubro de 1963, chegando a 10 ao Cais da Rocha, assim como a bateria que tinha sido formada no RAL 4, ficando apenas o pessoal que tinha de fechar contas!
    No inicio de Setembro de 1961, devido à hospitalização de um dos furriéis que, como grande parte dos outros, tinham feito o CSM em Vendas Novas, em 1960, fui destacado para a bateria de artilharia 147( as outras eram as 145 e 146), apresentando-me no Grafanil e dois dias depois partimos para uma paragem na Fazenda Tentativa, Caxito e depois para a Fazenda Quibaba, onde ficámos aquartelados, frente à montanha onde se situava a Pedra Verde, daí o nome da Operação Esmeralda, que foi a continuação da Operação Viriato, daí surgindo a designação dos jornais e rádio do Inferno da Quibaba!
    Regressei a Luanda 26 dias depois, com vários incidentes pelo meio, já que a minha secção de Observação e Defesa Imediata passava grande parte do tempo a acompanhar o pessoal da manutenção e por duas vezes transportar os Caçadores para a Quissacala e para Gombo do Zombo!
    Esses dias estão registados em prosa e poesia! A artilharia, naturalmente, não tem grandes baixas, por fazer a guerra à distância, mas deu para ver o que foi parte da Guerra nesse período, no Hospital da Fazenda Tentativa, onde os hellis chegaram todos os 3 dias de paragem e mais tarde numa das últimas viagens da Quibaba para Luanda, parando perto das 4 da manhã na Fazenda para tomar um banho que ainda não tinha tomado e foi o caos que encontrei no Hospital devido a 2 acidentes com 2 munições diferentes!
    Seja qual for a guerra, de catana, canhangulo, espingarda ou metralhadora, é sempre má e pelo caminho fica um rasto que não sai da memória dos que a viveram e que ainda hoje sofrem os efeitos!
    Um abraço, amigo Carmo Vicente e desculpai o desabafo! Bom fim de semana!
    Pode ser uma imagem de texto
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