Avançar para o conteúdo principal

VO NGUYEN GIAP, O GRANDE ESTRATEGA DA GUERRA NO VIETNAM, por AbrilAbril...

 

|VIETNAME

Tributos a Vo Nguyen Giap, o «vencedor de impérios»

Passam 110 anos sobre o nascimento daquele que é reconhecido como um dos maiores estrategas militares da história contemporânea, cuja acção foi decisiva frente a japoneses, franceses e norte-americanos.

O General Vo Nguyen Giap
O General Vo Nguyen GiapCréditos/ greenlane.com

Vo Nguyen Giap nasceu no seio de uma família pobre de camponeses a 25 de Agosto de 1911, na província de Quang Binh, no Centro do Vietname.

Herói nacional, o General Giap, conhecido pelo nome de guerra Van, foi o gigante militar da libertação, o homem que soube transformar o Exército Popular numa guerrilha e fazer dos guerrilheiros um exército.

O seu legado só é ultrapassado pelo de outra figura revolucionária lendária, Ho Chi Minh, que, pelos seus méritos político-ideológicos, conduziu o país da luta anticolonialista e anti-imperialista até à independência.

Para recordar o papel de Vo Nguyen Giap na revolução vietnamita e honrar os seus enormes contributos para a construção nacional, por ocasião do 110.º aniversário do seu nascimento, estão a ser levadas a cabo várias iniciativas: exposições fotográficas presenciais e virtuais, publicações de obras sobre a sua vida e trajectória, bem como homenagens.

No passado dia 20, foi inaugurada em Hanói uma exposição com mais de 200 documentos e fotos. Entre os documentos, informa a Vietnam News Agency (VNA), encontra-se um telegrama secreto datado 7 de Abril de 1975, escrito à mão pelo general, com ordens às unidades para actuarem com mais audácia e rapidez para libertar o Sul.

Com a mostra, o público tem oportunidade de conhecer melhor a tradição revolucionária do Exército Popular do Vietname, bem como a trajectória revolucionária de Vo Nguyen Giap.

Resumen Latinoamericano

Tributos na sua casa em Hanói e pelo país fora

Devido à situação da pandemia de Covid-19, as autoridades vietnamitas decidiram adiar a cerimónia formal do 110.º aniversário da insigne figura, que tem sido homenageada por vários representantes do Estado e do Partido na sua casa na capital do país.

No domingo, uma delegação liderada pelo presidente do Vietname, Nguyen Xuan Phuc, deslocou-se ao local para lhe oferecer incenso e agradecer o grande contributo dado à construção do país, nomeadamente ao fundar e ajudar a erguer um exército forte, que, sob sua orientação, foi decisivo, na unidade com o povo, para expulsar os colonialistas franceses e os imperialistas americanos do país da antiga Indochina.

No dia seguinte, foi uma delegação do Ministério da Defesa a render tributo, no mesmo local, àquele que é conhecido como «irmão mais velho» do Exército Popular e cujos méritos foram reconhecidos ainda em vida (faleceu com 102 anos, a 4 de Outubro de 2013), sendo apontado por líderes mundiais como um dos maiores estrategas militares do século XX.

Na província de Quang Binh ficam a sua casa natal e o seu túmulo, que são também dos sítios mais visitados pelos vietnamitas nestes dias.

Resumen Latinoamericano

«N'oubliez pas Dien Bien Phu»

Sobre a Batalha de Dien Bien Phu (1954), o jornalista Alberto Salazar, correspondente da agência Prensa Latina no Vietname, afirma que esta «teria bastado para inscrever o seu nome nos anais da história militar contemporânea».

Depois de 55 dias de assédio e a conquista decisiva do aeroporto, a guarnição francesa caiu e todo o seu Estado Maior foi capturado pelos vietnamitas. Recorde-se que, para os colonialistas franceses, aquela praça era simplesmente inexpugnável e, diz Salazar, «talvez o fosse de um ponto de vista "académico"».

Dien Bien Phu teve um enorme significado, pois representou o culminar de uma guerra de resistência de nove anos, e, «em muitos sentidos, foi também um sólido fundamento teórico-prático para as batalhas que o Vietname ainda tinha pela frente».

«Mais ainda – destaca Alberto Salazar –, Dien Bien Phu mostrou aos países colonizados que um exército pobremente armado, calçado com rústicas sandálias, saído de um povo de economia agrícola quase primitiva, podia derrotar uma potência rica e possuidora de uma indústria bélica de alta tecnologia.»

Resumen Latinoamericano

«Remember Vietnam»

A Guerra Americana, como é conhecida no Vietname, foi outra página brilhante na história militar do país e do seu ilustre comandante. «Naquele país ainda não sabem quem a perdeu, mas sabem que foi Vo Nguyen Giap quem a ganhou», sublinha o correspondente.

Giap, no entanto, não reclamou para si nem um ápice dessa glória, atribuindo-a toda ao seu povo: «Os Estados Unidos perderam muitas oportunidades para pôr fim à guerra do Vietname, enquanto o Vietname as aproveitou sempre todas», disse.

Para ele, as coisas foram claras desde o início: «Tivemos de usar o pequeno contra o grande, armas antiquadas contra armas modernas», explicou. «No final, é o factor humano que determina a vitória», declarou.

Conta-se que muitos soldados vietnamitas tatuavam no peito a frase «Nasci no Norte para morrer no Sul». Faziam-no inspirados pelo espírito de sacrifício e entrega à pátria que o seu líder lhes sabia incutir, aponta Salazar.

Giap ficou famoso por transformar o exército numa guerrilha e esta naquele. Daí que os estudiosos dessa guerra tenham dito que «imobilizar o Exército do Vietname do Norte era tão impossível como tirar sangue de uma pedra».

Em 1968, na ofensiva do Tet, as forças patrióticas perderam mais de 44 mil homens, mas a profundidade e amplitude da operação derrubaram a moral do exército do Sul e lançaram definitivamente a opinião pública norte-americana contra a guerra.

Saigão ainda demoraria sete anos a cair, mas a vitória já tinha começado a germinar.

TÓPICO

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Vasco Lourenço não compreende que Governo se demarque do 25 de Abril por Antena 1

  Vasco Lourenço não compreende que Governo se demarque do 25 de Abril por Antena 1         100% Volume 00:43 00:43 Foto: Tiago Petinga - Lusa PUBLICIDADE Portugal vive esta quinta-feira o primeiro de três dias de luto pela morte de Francisco e o Governo anunciou que pretende abster-se de participar em festividades do 25 de Abril, porque o luto nacional implica reserva, segundo o ministro Leitão Amaro. O presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, não consegue compreender a decisão do Executivo. PUB Política   |   Eleições Legislativas 2025 atualizado 24 Abril 2025, 14:12 Governo reage a críticas e reitera que não recomendou o cancelamento de sessões evocativas do 25 de Abril por RTP         António Cotrim - Lusa Ouvir Em nota enviada esta quinta-feira às redações, o gabinete do primeiro-ministro frisou que o Governo não restringiu nem recomendou o cancelamento de quaisquer sessões evocativas do 25 de Abril, nas quais semp...

O último suspiro? (Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 26/09/2024)

  O último suspiro? ( Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 26/09/2024) O apoio dos EUA tem limites. Os pacotes da ajuda têm vindo a reduzir e as sondagens na Ucrânia mostram uma sociedade cada vez mais cansada da guerra, e o aumento dos que estão dispostos a considerar a paz sem uma vitória total. Gosta da Estátua de Sal? Click aqui O  mainstream  mediático tem passado a ideia, ao longo dos últimos dois anos e meio da guerra na Ucrânia, de que a Rússia é chefiada por um indigente louco, é fraca e incapaz no campo de batalha. Sem capacidade industrial sofrerá facilmente uma derrota estratégica. Essa apresentação simplista, deliberadamente falsa e enganadora das capacidades da maior potência nuclear do globo é perigosa. Criou nos analistas do ar condicionado perceções enviesadas da realidade. Não obstante a falsidade óbvia, a tese foi profusamente difundida e convenientemente subscrita. Mas nada do propalado se concretizou. A economia russa não só não descambou...

Texto do general Raul Luis Cunha, partilhado por Jose Manuel Ribeiro Odragao

  Jose Manuel Ribeiro Odragao 6 d   · Raul Luis Cunha Caros Amigos, Este texto é apresentado por força de estar anunciada uma próxima greve geral dos trabalhadores portugueses, a qual já está a ser criticada e mimoseada com os piores epítetos pelos saudosistas do anterior regime, malandragem e carpideiras do costume. Assim e porque a minha condição de militar reformado não me permite aderir, aqui manifesto deste modo a minha solidariedade com os grevistas porque creio que todos nós desejamos um Portugal melhor, porque também não queremos ter vergonha do nosso País e porque estou convicto que não queremos que nos afundem na barbárie e no fascismo. Temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para não comprometer o futuro de Portugal, porque o presente e o passado recente não podem ser mudados com novas leis iníquas, por mais que haja alguns para quem isso não esteja bem claro. E, embora os Militares de Abril antifascistas tenham escrito os capítulos mais importantes ...