Martinho Júnior está com Olga Tremoulet e 77 outras pessoas.
HÁ 20 ANOS, NO DIA 31 DE JULHO DE 2001, FALECEU EM LISBOA O MARECHAL FRANCISCO DA COSTA GOMES.
É UMA FIGURA PARA OS PORTUGUESES LEMBRAREM: RENUNCIOU A CARGOS NO "ARCO DE GOVERNAÇÃO" E A NÍVEL INTERNACIONAL DEDICOU-SE À BUSCA DA PAZ ENTRE OS POVOS, AS NAÇÕES E OS ESTADOS!...
O MARECHAL FRANCISCO DA COSTA GOMES AO CONTRÁRIO DOS GENERAIS ANTÓNIO DE SPÍNOLA E KAULZA DE ARRIAGA, NUNCA FOI COOPTADO PELO "LE CERCLE" E ISSO APESAR DO "EXERCÍCIO ALCORA"!...
FOI CONTUDO UM DOS COMANDANTES MAIS INTELIGENTES NOS PRESSUPOSTOS DA "LUTA CONTRA SUBVERSÃO" FAZENDO FACE À PRESSÃO DO MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO EM ÁFRICA, CONTRA O MPLA,, AINDA QUE EM NOME DUMA CAUSA COLONIAL-FASCISTA PERDIDA!...
A GUERRA DE CONTRA SUBVERSÃO SOB A ÉGIDE DO MARECHAL COSTA GOMES EM ANGOLA, GEROU IMENSOS CONTRADITÓRIOS SECUNDÁRIOS EM ANGOLA, ALGUNS DELES REFLECTIDOS NO ACTUAL AMBIENTE ANTROPOLÓGICO, SOCIOPOLÍTICO E ECONÓMICO EM ANGOLA!
CONSTATE-SE A SUA BIOGRAFIA NAS PÁGINAS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA PORTUGUESA E O QUE ELA NOS DIZ SOBRE AS RAZÕES DA "OPERAÇÃO MADEIRA", QUE DE FACTO FOI UMA COOPÇÃO DO ETNO-NACIONALISMO DA UNITA, QUE SE REFLECTE NA MANOBRA DESSA SENSIBILIDADE POLÍTICA ATÉ AOS NOSSOS DIAS, ENQUANTO INSTRUMENTO DA INTELIGÊNCIA PORTUGUESA E EUROPEIA :
FRANCISCO DA COSTA GOMES.
Biografia
Francisco da Costa Gomes foi o segundo Presidente da República após a Revolução de 25 de Abril de 1974. Foi nomeado pela Junta de Salvação Nacional no dia 30 de setembro de 1974, na sequência da demissão do general António de Spínola.
O general Costa Gomes era a aposta para assegurar a coesão das Forças Armadas e evitar que o poder caísse na rua. Foram anos difíceis, marcados pelo acelerar do processo revolucionário. Teve um papel decisivo no assegurar da realização de eleições para a Assembleia Constituinte, em 25 de abril de 1975.
Rejeitando a hipótese de ser candidato às presidenciais de 1976, cessou funções em julho desse ano.
Francisco da Costa Gomes nasceu em Chaves, em 30 de junho de 1914, no seio de uma família católica, filho de António José Gomes, capitão de Infantaria, e de Idalina Júlia Monteiro da Costa.
Após concluir a instrução primária na sua terra natal, e na sequência da morte do pai, rumou a Lisboa, onde ingressou no Colégio Militar em 1925.
Alistou-se, em 1931, na Escola Militar, na Arma de Cavalaria, tendo sido posteriormente colocado na Escola Prática de Cavalaria, em Torres Novas, e, já em 1936, no Regimento de Cavalaria n.º 6, em Estremoz.
Em 1938, Costa Gomes foi colocado no Batalhão n.º 4 da Guarda Nacional Republicana, no Porto, onde teve a sua primeira experiência de comando. Em 1944, ano em que foi promovido a capitão, concluiu, com distinção, a licenciatura em Ciências Matemáticas, na Universidade do Porto.
Em 1952, conheceu Maria Estela Veloso de Antas Varejão, por quem se apaixonara depois de ver um retrato seu pintado por Henrique Medina, de quem era amigo. O casamento aconteceu nesse mesmo ano, na Sé de Viana do Castelo, terra natal de Estela, e, quatro anos depois, nasceu o único filho do casal.
Francisco e Estela Costa Gomes viriam a enfrentar juntos a morte inesperada do filho, em 1991.
Carreira Militar e Política
Em 1949, foi nomeado subchefe e, de seguida, chefe do Estado-Maior de Macau, num momento em que o governo português pretendia intensificar a força militar na província. Porém, já em funções, Costa Gomes constatou ser impossível defender aquele território, pelo que, ao invés, procedeu à diminuição dos efetivos militares portugueses. Seria esta experiência na província de Macau que o levaria a refletir e a questionar a política do governo de Salazar em relação às colónias.
De regresso a Lisboa, em 1951, foi colocado no Estado-Maior do Exército, com o objetivo de estudar uma forma de incorporar forças militares portuguesas na NATO, em cumprimento do estipulado aquando da integração de Portugal naquele organismo em 1949.
Costa Gomes acabaria por concluir que as Forças Armadas portuguesas não reuniam condições para cumprir essas funções, pelo que, já em 1953, foi o próprio quem veio a dirigir as manobras militares, com vista à formação de unidades nacionais capazes de integrarem a NATO. Um ano depois, foi nomeado para o Comando Supremo Aliado do Atlântico (SACLANT).
Partiu, então, para os EUA, onde, ao lado do general Humberto Delgado, assistiu a uma explosão atómica experimental. Esta experiência nos EUA acabaria por revelar-se de extrema importância no seu percurso, destacando-se, no meio militar, pelos conhecimentos então adquiridos.
Em 1956, de regresso a Portugal, e entretanto promovido a tenente-coronel, Costa Gomes foi chamado a assumir o cargo de adjunto da Repartição da Defesa Nacional, participando na elaboração de novos planos de defesa e mantendo sob sua responsabilidade as relações de Portugal com a NATO.
Em 1958, foi nomeado subsecretário de Estado do Exército, tendo nessa qualidade visitado Angola, Moçambique, Guiné, São Tomé e Cabo Verde, países onde se inteirou dos problemas e especificidades locais. Um ano depois, o projeto de reestruturação que elaborou, com base na sua observação direta, foi aprovado, significando amplas mudanças na organização das forças militares ultramarinas.
Costa Gomes, há muito defensor de uma política que levasse à autodeterminação das colónias, participou, em 1961, na derradeira tentativa de afastar Salazar do poder, conhecida como «abrilada» ― Botelho Moniz, ministro da Defesa, liderou a tentativa de golpe de Estado, cujo principal objetivo era, precisamente, inverter a política colonial portuguesa. Todavia, Salazar acabou por ter conhecimento do plano em marcha, antecipando-se à sua concretização. Botelho Moniz e Costa Gomes foram, de imediato, demitidos das suas funções.
No rescaldo da abrilada, foi destacado para o quartel de Beja, dirigindo o Distrito de Recrutamento e Mobilização, de onde foi transferido, em 1963, para Elvas. No ano seguinte, foi promovido a brigadeiro e, em 1965, foi nomeado segundo-comandante da Região Militar de Moçambique, país onde a guerra tinha deflagrado no ano anterior, e em 1967, comandante-chefe.
Entretanto, em 1968, Costa Gomes foi promovido a general, sendo nomeado, em 1970, comandante-chefe da Região Militar de Angola. Durante os dois anos em que ali permaneceu, avançou com a reorganização do comando-chefe e desenvolveu negociações com movimentos locais, como a UNITA, tendo em vista a pacificação do território.
Em 12 de setembro de 1972, foi escolhido pelo presidente do Conselho, Marcelo Caetano, para ocupar o cargo de chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), o mais alto da hierarquia militar.
Em 1973, Costa Gomes tomou conhecimento das movimentações de um grupo de capitães, descontentes com a legislação recentemente aprovada, que previa alterações na carreira militar. Os decretos foram suspensos, mas, apesar disso, as reuniões conspirativas dos capitães continuaram, tendo como motivações o fim da guerra civil e do regime. O movimento ultrapassou a sua fase corporativa, politizando-se.
Em janeiro de 1974, o ministro da Defesa, Silva Cunha, entregou a Costa Gomes, para sua análise, uma cópia do livro Portugal e o Futuro, da autoria de António de Spínola. Em 11 de fevereiro, Costa Gomes assinou um parecer concordando com a publicação da obra de Spínola, que, recorde-se, defendia o direito das colónias à autodeterminação.
Dias depois, Spínola e Costa Gomes foram chamados a casa de Marcelo Caetano, que lhes revelou a sua preocupação relativamente às consequências da publicação do livro. Em 13 de março, Spínola e Costa Gomes informaram o Presidente do Conselho que se recusavam a comparecer à cerimónia de solidariedade para com o regime, conhecida como «brigada do reumático», em que todos os generais oficias das Forças Armadas deveriam participar. Foram de imediato demitidos dos cargos de CEMGFA e de vice-CEMGFA.
Já em abril de 1974, Costa Gomes tomou conhecimento daquele que viria a ser o Programa do Movimento das Forças Armadas (MFA), no qual introduziu algumas alterações, nomeadamente defendendo a permanência da PIDE/DGS no Ultramar.
A 25 de abril, o golpe de Estado levado a cabo pelo Movimento das Forças Armadas derrubou o regime. Chegou, assim, ao fim uma das mais longas ditaduras da Europa.
No Rescaldo do 25 de Abril
Nesse mesmo dia, Francisco da Costa Gomes encontrava-se no Hospital Militar, acompanhando a sua mulher num internamento. Só ao final da tarde, já Marcelo Caetano se havia rendido, é que se deslocou ao Posto de Comando do MFA, na Pontinha, onde teve lugar a primeira reunião da Junta de Salvação Nacional, que asseguraria o exercício do poder político até à formação de um governo. Desse encontro resultaria a escolha do Presidente da República, que seria, de acordo com o desejado pelos capitães, Costa Gomes.
Contrariamente ao previsto, e por proposta do próprio Costa Gomes, foi António de Spínola quem ocupou o cargo mais alto da Nação.
Costa Gomes manteve-se, assim, como membro da Junta de Salvação Nacional, e retomou as funções de chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, em 30 de abril. Nessa qualidade, deslocou-se, logo em maio, a Angola e Moçambique, esforçando-se, por um lado, para garantir a segurança dos militares que se encontravam nas colónias e, por outro, para esclarecer a opinião pública local sobre a nova realidade política portuguesa.
No braço de ferro que opôs, no imediato, António de Spínola e a Comissão Coordenadora do MFA em torno da solução para o problema colonial, Costa Gomes assumiu um papel de conciliador entre as duas forças, ainda que acabando por se afastar progressivamente do Presidente da República ― Spínola defendia uma descolonização de tipo referendário e uma transição gradual; o MFA propunha uma rápida rutura com o passado.
Foi neste contexto que ocorreu, em agosto, o episódio relacionado com o «Documento Hugo dos Santos/Engrácia Antunes». Próximo das posições sustentadas por Spínola, nele se defendia, por exemplo, a extinção da Comissão Coordenadora do MFA. Costa Gomes acabou por assinar o documento, informado de que a Comissão Coordenadora estaria de acordo com o seu conteúdo. No entanto, tal informação era falsa, pelo que o general rapidamente elaborou uma circular, retirando o seu apoio. Ao mesmo tempo, uma união entre a esquerda e o MFA conseguiu fazer aprovar em Conselho de Estado a lei que reconhecia o direito à autodeterminação dos povos colonizados (Lei 7/74, de 27 de julho).
Os apelos de Spínola ao apoio da «maioria silenciosa» do povo português teve eco na ação de forças de direita, como o Partido Liberal e o Partido do Progresso, que avançaram com a preparação de uma manifestação de solidariedade ao Presidente da República, marcada para o dia 28 de setembro.
O Presidente da República decidiu avançar com a manifestação. Todavia, já com o seu plano em marcha, e perante a pressão do MFA e de toda a esquerda – que entretanto bloqueara os acessos a Lisboa aos manifestantes – Spínola acabou por rejeitar, publicamente, essa manifestação. E, percebendo que a situação ficara fora do seu controlo, apresentou a sua demissão.
Depois da Presidência
Após ter deixado a Presidência da República, Francisco da Costa Gomes não ocupou mais nenhum cargo político, optando por desenvolver uma ampla atividade pública em prol da paz.
Destaque-se, a partir de 1977, o seu trabalho no Conselho Mundial da Paz, tendo, nesse âmbito, participado em inúmeros encontros como a Conferência Internacional de Genebra contra a bomba de neutrões (1978) e a Conferência Mundial de Solidariedade com o Mundo Árabe (1979), na qual marcou presença Yasser Arafat, por quem Costa Gomes nutria grande admiração.
Em 1981, Costa Gomes integrou ainda o Grupo de Generais e Almirantes para a Paz e o Desarmamento, ano em que também foi promovido a marechal. Em 1986, recebeu o galardão de Mensageiro para a Paz, atribuído pelo secretário-geral das Nações Unidas.
Francisco da Costa Gomes morreu no Hospital Militar de Lisboa, em 31 de julho de 2001, um mês depois de completar 87 anos.
Relacionados
• Ordens Honoríficas Portuguesas
• Ordens Honoríficas Estrangeiras


Comentários
Enviar um comentário