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PARTILHADO POR JOÃO M. ARISTIDES DUARTE!

 

1969 - Refugiados de outro tempo: visão de um francês sobre os emigrantes portugueses.
A visão de um francês sobre os emigrantes portugueses, nos anos 60: “São esquisitos, baixos e com bigodes e barbas. Chegam, na esmagadora maioria, homens. Elas, quando vêm, cobrem os cabelos com panos e não usam saia acima do joelho. Muitas são proibidas pelos maridos de cortarem o cabelo. Por vezes, eles ameaçam-nas com uma chapada ou um murro; elas, subservientes, baixam a cabeça e colam as mãos ao ventre. Trazem com eles uma paixão fervorosa pela religião. Usam colares com o símbolo das suas crenças e são capazes de dar mais do que têm para que o seu local de culto, na sua terra natal, tenha um relógio ou um telhado novo. Rezam, pelo menos, de manhã e à noite. Se puder ser, ao final da tarde, cumprem mais um ritual.
Chegam sem falar uma palavra da nossa língua. Parece que fogem de uma guerra qualquer lá no país deles, da fome e da miséria. Não têm, por isso, noção de amor à nação. Fogem em vez de defenderem o seu país e lutarem por uma vida melhor lá, na terra deles, vêm para aqui sujar o nosso país com a sua imundície. Atravessam países inteiros a pé ou à boleia para chegarem aqui. Pagam milhares para saírem do seu país e vêm ficar na miséria. Alguns têm muitos filhos, muito mais do que aquilo a que estamos habituados. Deixam-nos sozinhos ou com os irmãos mais velhos, que não vão à escola. Mas são muito trabalhadores.
Bem, na verdade, não roubam exactamente o nosso trabalho, porque aqui há leis que não nos permitem trabalhar 18 horas diárias, embora isso exista e dê jeito a alguns patrões. Mas de certeza que nos roubam qualquer coisa. São diferentes de nós e isso causa-nos má impressão.
Não são muito limpos, cospem para o chão e as suas maneiras em público deixam muito a desejar. Vivem em bairros de lata que mais parecem campos de refugiados. Não sei como conseguem. Se é para viverem na miséria, mais valia ficarem na terra deles.”
Diário de um Parisiense,1969
Pode ser uma imagem a preto e branco de 5 pessoas, pessoas em pé e interiores
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  • Nesta altura a maioria dos que iam eram gente humilde e iam para trabalhar. Nos anos 60 as pessoas não queriam estudar, e então só lhes bastava trabalhar na construção e fazer o que os franceses não queriam fezer... Hoje a sociedade está mais liberta, estuda e já (em parte) não nos deixa ficar mal.
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    • 5 h
    • Laura Ferreira
       não queriam estudar? Ou não tinham hipóteses?
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      • 4 h
    • Quer dizer que os que trabalhavam e não estudavam nos deixavam ficar mal. A sua última frase é muito infeliz. E infelizmente há muitos emigrantes a pensar assim!
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      • 1 h
  • É sempre muito má a generalização, defeituosa a comparação e pouco edificante a ignorância dos "sábios"
    003 – EMIGRAÇÃO-Publ. 21/11/20-grupo
    Para terras de França partiu
    Mais um irmão…
    Como os outros clandestino
    Analfabeto como os outros.
    Ficarei mais rico sempre que um irmão parte ?!
    Não !
    Como eles reneguei a herança
    Mas nunca partirei para terras de França.
    Enquanto em mim residir a esperança
    Não a apregoada na fé
    Mas a na falta de fé idealizada
    Em cada dia
    Apenas de poentes
    Que só a natureza
    Se permite colorir !
    Reis Caçote
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