Francisco Louçã
O Dr Rui Rio devia deixar em paz o congresso do PCP
A persistência do PSD em pedir a proibição do congresso do PCP revela uma estranha campanha, que não tem justificação legal e que é um truque político. Mesmo que alguns juristas inventem uma teoria inaceitável, segundo a qual o estado de emergência permitiria impedir as liberdades políticas, parece cristalino que nem a Constituição nem a lei aceitam essa limitação. Portanto, do ponto de vista legal, a campanha do PSD é um absurdo e tem consequências, pois sugere uma leitura da emergência como se fosse um estado de sítio e confunde uma medida sanitária com uma forma de repressão da sociedade. Como não se compreende o topete de pedir ao governo que proiba uma reunião política legal ou até, imagine-se, que imponha a um partido a forma da reunião de um órgão estatutário.
Houve manifestações durante o estado de emergência anterior, e foram legais. Houve manifestações na semana passada (sabe-se que estiveram lá figurões que hoje pedem a proibição do congresso) e mesmo hoje houve mais manifestações, e foram todas legais. Há reuniões e atividades públicas, desde concertos a sessões políticas, e são legais. Um congresso não é diferente. Basta de hipocrisia, seja do Dr. Rio, seja do Dr. Ventura ou de quem pensa que a preocupação popular pode ser usada como um pretexto para reduzir os direitos de toda a gente.
Podemos perguntar-nos se esta insistência do PCP é a mais adequada, se um congresso que ocorre cada quatro anos não podia ter outra data, se não vai haver leituras agressivas sobre a coincidência entre a data da votação final do Orçamento e o início do congresso. Já disse o que pensava sobre isso, não compreendo porque é que a direção do PCP se colocou nesta posição vulnerável. Mas não me venham dizer que é uma questão de lei ou de direito: direito, neste caso só há um, o da livre escolha por esse ou por qualquer outro partido. Que decide e toma a responsabilidade da sua escolha.


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